segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Andaraí, com Igatu e Poço Azul. Chapada Diamantina, Bahia.


A cidade de Andaraí não chega a merecer uma visita, mas no município há pontos interessantes para visitar. Estivemos em Andaraí numa 2a-f e a cidade estava bem animada com uma feira movimentada, mas nada chamou a atenção.

Igatu 
Iguatu é chamada por alguns como a Machu Picchu brasileira mas isto é um exagero. As aparências são bem superficiais: ambas ficam em montanhas e ambas têm ruínas. As diferenças são importantes: Machu Picchu é o século XV e tem uma altitude de 2.400m e Iguatu do século XIX numa altitude de 800m. Sem falar que as paredes das construções de Macchu Pichu estão bem mais conservadas. 

Sem levar em conta a comparação com Machu Picchu, tivemos duas boas experiências por lá e ambas com o mesmo nome: o distrito de Igatu e o restaurante Água Boa. É que Iguatu é água boa, em tupi.
O vilarejo merece a visita a despeito da dificuldade de acesso. A partir da saída na BA asfaltada são  7 km de estrada de pedra em subidas e descidas algo tortuosas.

A pequena vila (com 376 habitantes, segundo Néu) tem uma aparência calma e uma arquitetura interessante. As vistas são bonitas, com visão para o vale ao fundo. O lugar que nos pareceu mais interessante foi o das ruínas da época do garimpo. Há várias construções com paredes de pedra sem argamassa semi destruídas. Estivemos lá na 2a-f e o Museu estava fechado e não tivemos perna para ir até a Rampa do Caim.

O restaurante Água Boa, em Igatu, é ótimo. Comemos o Godó de entrada e estava muito bom. O Baião de Dois, com carne de sol e pirão de leite, muito bem feito além de bastante farto. A carne poderia ser menos passada (lembre de pedir isto). A batida de mangaba com cachaça Abaíra é ótima.
O atendimento de Neu é 10. Simpático e eficiente!

Poço Azul
O Poço Azul é muito bonito e tem um acesso relativamente fácil. São 8 km de acesso em estrada de terra a partir da saída da estrada estadual para Nova Redenção. O acesso ao poço propriamente dito é relativamente fácil, não muito íngreme e com degraus e corrimão.

sábado, 27 de dezembro de 2014

Lençóis, Chapada Diamantina - Bahia


É inacreditável, até para mim mesmo, que um baiano venha pela primeira vez à Chapada somente aos 61 anos de idade. A sensação de perda de oportunidade é ainda maior ao conhecer um pouco a região. A Chapada (com área semelhante à dos Países Baixos) tem uma geografia muito variada, com vegetação distinta em cada área e com muitos pássaros. O que mais atrai atenção são as inúmeras quedas d’água, cachoeiras e grutas nos seus morros.

Lençóis
Lençóis preservou uma boa parte da arquitetura do período da garimpagem, provavelmente em decorrência do rápido declínio econômico. A cidade hoje tem um economia quase totalmente dependente do turismo. A influência é tão forte que o comércio fecha à tarde até às 16’00 e depois permanece aberto até bem mais tarde que o horário comercial usual. Isto decorre da presença maciça dos turistas visitando atrações naturais fora de cidade durante o dia.

Há ruas bastante animadas e numerosas lojas de artesanato e bons restaurantes.

Estalagem do Alcino
A Estalagem é um excelente lugar para ficar em Lençóis e explorar a Chapada Diamantina. A casa é moderna mas reproduz o casarão que desabou no local. A decoração é muito interessante e eclética, com peças feitas pelo próprio Alcino, incluindo muitos azulejos decorados nos banheiros, por exemplo.
As grandes atrações da Estalagem são o próprio Alcino e o café da manhã:
Alcino é um artista muito atencioso com os hóspedes e conhece bastante a região, pelo que faz indicações ótimas para excursões, assim como boas sugestões de restaurantes na Chapada.
O café da manhã é o mais sofisticado e variado que já experimentei em qualquer lugar. Uma enorme oferta de frutas, bolos, geleias e outras guloseimas muito bem feitas. Como requinte extra, muitos produtos variam a cada dia (tomamos quatro desjejuns e houve novidades em todos eles). Tudo servido “quentinho" à medida que se consome.
Os móveis são antigos o que confere um charme extra. Há quartos com banheiro completo e ar condicionado com bastante conforto. 
Considerei um ponto muito positivo não haver televisão e telefone nos quartos. Também muito simpático é ter um filtro de barro com água fresca para uso dos hóspedes no andar de cima.
Se voce tem limitação de movimentos, peça previamente um quarto no andar de baixo. A escada de metal, em estilo antigo, não é das mais fáceis de usar.

Soy Libre  
Alugamos um carro na Soy Libre. Ficar com o carro dá muita liberdade na escolha dos passeios e no ritmo das visitas. O dono da locadora, Eduardo Guimarães, foi muito simpático e eficiente e, além disto, é um bom guia na região. Conhece bem e não é “invasivo”.
Por uma taxa adicional, ele levou o carro até o aeroporto e nos acompanhou até lá no retorno. 
O aeroporto merece um comentário adicional. Só há sinal para telefonia celular da Vivo e é intermitente, nem sempre funciona. Quanto às outras operadoras, nada de sinal. Assim, não deixe para fazer contato a partir de lá e nem confie em consultas pela internet das suas reservas. Uma velha e boa cópia em papel das suas reservas é uma boa medida.

Casa da Geleia
A Casa da Geleia (na Pousada Casa da Geleia, ao lado da Estalagem) vende uma grande variedade de geleias feitas com muito esmero por Lia, e oferece "provas" dos diversos sabores. Gostamos bastante. Quem gosta de pimenta (forte) não pode perder a geleia de pimentas (pois é feita com uma mistura de diversas pimentas). Lia entende bem de pimenta!

Restaurantes
Comemos bem em Lençóis, o nosso preferido foi o Cozinha Aberta. Ainda ficaram para uma próxima vez dois restaurante bem recomendados: O Bode e o Absolutu (escrito assim mesmo).

Cozinha Aberta
Tivemos uma excelente experiência no Cozinha Aberta. O menu oferece boas opções com uma mistura bem interessante de receitas da cozinha europeia com ingredientes regionais.
A entrada de Batata da Serra serviu para revelar um ingrediente local muito saboroso. Batata comida sem cozer, com azeite e sal. 
O prato de massa de arroz com camarão fresco e legumes estava excelente! Bem temperado e muito saboroso. (Para quem não tem hábito de pimenta, deveria estar um pouco forte neste aspecto).
O sorvete de chocolate com toque de pimenta também é muito bom.
Voltamos lá (nos 4 dias que ficamos na região) e comemos a Roupa Velha que é uma versão moderna e sofisticada da velha receita caseira. Muito bom também.

Restaurante Azul no Hotel Canto das Águas em Lençóis
O restaurante fica no Hotel Canto das Águas, com acesso aberto a não hóspedes, e as mesas da varanda ficam à beira do rio: uma corredeira com água corrente garante o canto prometido.
A comida é adequada, porções generosas e alguma criatividade nas receitas, embora nada excepcional. A apresentação dos pratos deixa a desejar.
Carta de vinhos reduzida e com preços um pouco acima do esperado para a qualidade.
O atendimento é bom. O pessoal é bem capacitado e muito simpático. Tivemos atendimento de Elvis que realizou um bom atendimento com muita simpatia.

Natural (Rua das Pedras) sanduíches e crepes
Uma lanchonete e creperia bem pequena, na Rua das Pedras, com produtos de boa qualidade e bem preparados. O chocolate em barra elaborado por eles é muito bom.