domingo, 20 de julho de 2014

Montevidéu em julho

O blog ficou meio esquecido, e graças a Camila, relembrei durante a viagem a Montevidéu.

Vim para trabalhos que temos em colaboração com o Instituto Pasteur de Montevidéu, mas neste blog não falarei deste assunto. Vou falar, principalmente da experiência gastronômica por aqui.
Foram 4 dias de trabalho e muito comida. 

Se você gosta muito de churrasco, Montevidéu é o seu destino! A cidade tem cheiro de parrillada em cada esquina. Tive sempre boas experiências com as carnes, saborosas, macias e rugosas (mal passadas).

Os locais jantam muito tarde para os padrões brasileiros, se aproximam mais dos espanhóis. Chegar no restaurante às 20’00 é para comer sozinho, ou, na melhor hipótese, com outros brasileiros. Os uruguaios chegam após as 22’00 ou 22’30 (com crianças).

Pegamos um período agradável no inverno. Durante alguns dias com 17o a 18oC e à noite de 8o a 12oC, sem chuva.

Como curiosidade, vejam que os uruguaios estão muito interessados em propriedade intelectual. Já têm até patente de cachorro (foto ao lado).



Restaurantes
Uma boa experiência na Parrillada Trouville (Chucarro 1037, entre Marti y Av. Brasil, Montevideo 113000). Pedimos de entrada uns chipirrones (txipirrones, no cardápio) acebolados, que estava excelentes.  De prato principal, pedimos a picanha de cordeiro e bife ancho. Cada um gostou do seu prato. O bife ancho mal-passado estava MUITO bom!  De vinho um Tempranillo-Tanat da bodega Bouza e foi uma experiência também muito boa, e o preço foi uivo razoável (490 pesos uruguaios ou pouco mais de R$50,00). O vinho não é tão encorpado mas sem acidez e com excelente retrogosto. A Bodega Bouza é sempre uma opção segura.  Preços muito honestos para a qualidade da comida e do vinho. O dono, Sr, Francisco, é muito simpático e apareceu ao final para saber como tinha sido a refeição. É um uruguaio que divide seu tempo entre Montevidéu e SP, onde também tem uma parrillada. A Trouville é uma séria opção a considerar para uma boa carne. 

A visita ao Mercado del Puerto em Montevidéu é interessante, comer por lá talvez não seja a melhor opção. No El Palenque (Perez Castellano 1579; Ciudad Vieja) há sempre muita gente, o que costuma sinalizar bom restaurante, mas compromete um pouco o serviço. No nosso casso, o garçom era atencioso mas passava sempre "voando" com tantas mesas para atender.
A entrada de txipirrones, com cebola e champignon, estava deliciosa. Pedimos uma paella (após jantar numa parrilada na véspera, queríamos variar um pouco). A paella, estilo valenciana, estava decente mas não era a "paella de toda la vida".
O Pinot Noir Reserva da Luigi Bosca acompanhou bem.

Uma maravilha para os chocolátras! Após almoçar no Palenque do Mercado del Puerto, encontrei por acaso a loja do Volverás a Mi (Perez Castellano 1461). Um café acompanhado pelo chocolate lá foi um excelente complemento. Provei o chocolate recheado com um creme com vinho Tanat, que foi muito bom. Comprei uma caixa para levar.

A cidade tem muitas opções de cozinha italiana. Gostamos bastante do Mamma Nostra (Coronel Mora 451 esq Joaquin Nuñez). A casa ofereceu uma entrada de bruschetas básicas de boa qualidade. O meu raviolone com queijo e bondiola me agradou muito. Foi bom para variar de tanta carne (embora agora também sirvam parrilada, segundo anunciam - deve ser difícil um restaurante sobreviver em MVD sem servir parrillada). Um serviço simpático, embora um pouco lento.

Já no almoço seguinte, estava de novo na carne. Ótima experiência na Cantina del Puertito (Zorrilla de San Martin 176 Entre Tabare y Parva Domus, Montevideo, perto do Punta Carretas Shopping), um local simples mas com comida muito boa, serviço eficiente e o mais simpático da cidade. A casa ofereceu uma pizza brotinho como cortesia de entrada, com boa qualidade e massa bem crocante. Gostei bastante do Entrecote com fritas, carne muito boa, macia e jugosa, uma das melhores que provei. Gostei também do Tanat (2011) da vinícola Pisano, um Reserva Personal de la Família (RPF), recomendado na carta. 

Hotel
Fiquei no Punta Trouville Apartments (Francisco Vidal 726, Montevideo 11300), um hotel simples, bem localizado. Pontos positivos e negativos, como quase todos:
Bons:
Ótima localização em Pocitos: Fácil acesso dali para o centro e Cidade Velha. O Punta Carretas Shopping fica bem perto também. Rua tranquila, a uma quadra da rambla e perto de vários restaurantes, mercadinhos, farmácias e casa de cambio;
Facilidade de pequena cozinha no quarto: Para estadias longas é interessante ter equipamentos úteis para refeições rápidas;
Limpeza muito boa;
Portaria atenciosa,
embora com toques bem amadores para indicações na própria área de Pocitos. Não conhecem os restaurante mais afamados da área e o mapa que fornecem não tem o nome das ruas, por exemplo;
Café da manhã bem sortido com muita variedade e de qualidade. O local é pequeno, na hora do pico precisa esperar par ter vaga.
Ruins:
Mobilidade: Vá com mala leve. O hotel tem escadas já entrada. Não há rampa nem ajuda para pegar as malas;
Elevador: Escadas para chegar até o elevador que é um só o que leva a certa espera em horários de maior movimento;
Banheiro: pequeno e sem local para colocar os apetrechos.

Cidade
Visitei poucos lugares e não fiquei muito impressionado. A Praça mais famosa, a Independência é uma praça ampla e histórica, mas descaracterizada pelos vários estilos de construção coexistentes. No lado oposto ao prédio mais bonito da praça, fica o edifício mais feio de todo o Uruguai (imagino que não podem existir mais feios que este). Quem é se Salvador, este prédio aqui parece o Themis da Praça da Sé, e ainda maior, o que só aumenta o aspecto desagradável. O próprio prédio da Presidência é de pouco estilo. O Teatro Solis, reformado recentemente, vale uma visita.

El Mercado del Puerto é uma experiência interessante e muito parecido com outros mercados como o de Santiago. Muitos restaurantes e muitíssimos turistas. 

Câmbio

O câmbio estava a 1R$=9,35 e 1USD=22,89.

Devo postar mais uma ou duas notas sobre MVD.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

O Apalpador - O Papai Noel galego


A figura acima, feita por Leandro (e vista aqui) é d'O Apalpador.

Sobre a Apalpador:
Texto acima do A Gentalha do Pichel (aqui).

De O APALPADOR PERSONAGEM MÍTICO DO NATAL GALEGO A RESGATE por José André Lôpez Gonçâlez (aqui):

"O dia 31 de Dezembro baixa à noitinha das alturas da sua escura morada nas espessas devesas para visitar os meninos. Chega quando os pequenos estiverem durmidinhos e apalpando-lhes a barrriguinha, por ver se estão cheios ou têm fame diz, no caso de estarem fartos: «Assim, assim estejas todo o ano», deixando-lhes uma mão-cheia de castanhas. No caso de terem fame ele cala embora, também os agasalhe com uma pressada do fruto do castanheiro.
Pela excitação da chegada do Apalpador e os presentes, as crianças não podem dormir e bolem. Para lhes fazerem sossegar, os velhos cantavam-lhes as cantigas que vem:
Vai-te logo meu ninim/nininha, 
marcha agora pra caminha. 
Que vai vir o Apalpador
a palpar - che a barriguinha.
Já chegou o dia grande, 
dia do nosso Senhor. 
Já chegou o dia grande, 
E virá o Apalpador1.
Manhã é dia de cachela2, 
que haverá gram nevarada 
e há vir o Apalpador
c ́uma mega3 de castanhas.
Por aquela cemba
já vem relumbrando
o senhor Apalpador
para dar-vos o aguinaldo.
(Amadora de Galego†, camponesa, 79 anos, Romeor de Caurel, recolhidas em Dezembro de 1994).
Agora traz brinquedos em lugar de castanhas, que os tempos cambiaram, mas não a função."


Depois de algum tempo esquecido, O Apalpador retomou suas andanças galegas:
Veja o texto:
"Em 2006 um trabalho de José André Lôpez Gonzâlez, publicado polo PGL, resgatava do esquecimento o Apalpador, personagem mítica da cultura popular galega para a quadra natalícia. Já no passado ano a Gentalha do Pichel chamou a atençom para a recuperaçom de facto dessa figura, e neste pretendem dar mais um pulo fazendo com que ela volte à rua.
Destarte o Apalpador, até agora sepultado por figuras importadas pola uniformizaçom cultural e polo formato consumista do Natal de hoje, sairá à rua em rondalha, trará presentes para os meninhos e meninhas do País, e deixará carvom na porta das casas de tantos indesejáveis, inimigos da nossa língua e cultura.
Da Gentalha fam questom em lembrar que o Apalpador tem especial gosto polos presentes manufacturados artesanalmente, dando mais valor ao carinho que ao dinheiro, e pedem para que este importante labor de recuperaçom das nossas festas populares conte com o apoio dos centros sociais e o movimento associativo da Galiza.
Por isso, do Centro Social compostelano já editárom um cartaz explicativo e já começárom os preparativos para o regresso do Apalpador às ruas galegas, com o intuito de recuperar o Natal galego e, ainda, afastar-nos um bocadinho da voragem consumista dessas datas." (aqui).
e continua em 2013:
"O Apalpador

O Apalpador visita toda a Galiza

Quinta, 19 Dezembro 2013 00:00


PGL - Mais um ano, o Apalpador desce das montanhas do Courel e visita a Galiza inteira. A seguir damos algumhas referências para as pessoas interessadas em conhecer os primeiros destinos do gigante carvoeiro. Já fôrom confirmadas visitas do personagem do Natal galego às cidades de Ferrol, Santiago de Compostela, Lugo e Vigo e nom se descarta que nos vindouros dias conheçamos mais destinos." (aqui)

domingo, 22 de dezembro de 2013

As melhores propagandas recentes de Natal

Estas foram as melhores que vi. Apple já uso e fiquei com votade de voar WestJet (no Natal, pelo menos!).


Apple






WestJet

domingo, 17 de novembro de 2013

Sing Miller does exist!

Não estava louco ao falar sobre Sing Miller no post sobre o Preservation Hall in NOLA (aqui). Para evitar uma consulta psiquiátrica, Aldina localizou o LP comprado há tanto tempo! Foto acima.
Agora falta conseguir digitalizar as músicas para ouvi-las na era digital.

Duas coisas:
O LP foi mesmo autografado.
No CD comprado nesta viagem de 2013 (The Best of Early Years Preservation Hall), há uma música por Sing Miller (Nelly Gray).


quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Tax free USA

Eu nunca havia ouvido que há devolução de imposto aos viajantes nos EEUU, mas há. Ou melhor, pelo menos na Louisiana há.
A primeira vez que soube da détaxe foi em Paris. Se um turista compra algo que será usado no exterior pode ser ressarcido de (parte) do imposto pago. A loja emite um documento a ser mostrado juntamente com o produto no aeroporto no momento do embarque para o exterior. Após o que o recurso é devolvido. Depois, vi o mesmo mecanismo na Espanha. De algo semelhante nos EEUU, não tinha notícia.
A Lousiana tem Tax Free Shopping. O mecanismo é simples (como se esperaria dos EEUU). Necessário mostrar:
Passaporte com visto e carimbo de entrada;
Cópia da passagem ida e volta (com permanência não superior a 90 dias);
O original dos recibos e voucher emitido na loja de venda.
A Macy’s faz o reembolso na hora (cobrando uma taxa, logicamente). Basta ir até Consumer’s Office com os documentos e você já sai com cash. Eles fazem este serviço para todas as lojas participantes e não somente para as compras da Macy’s. Este ponto é importante: nem todas as lojas participam do programa.
Na verdade se tiver o itinerário da viagem (impresso) ou o crachá de uma conferência eles aceitam e fazem a cópia lá mesmo.
Se o recibo for original eles a Macy’s faz o voucher, se o recibo for cópia, é necessario trazer o voucher da loja participante. 
A Macy’s mantém um posto de atendimento no Louis Armstrong International Airport e também é possível obter o reembolso pelo correio.
Não vi nada disto em NYC. Deve existir em outros Estados, mas não tenho conhecimento.

Eppur si muove!

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

New York - Trattoria e espresso

Tive uma boa experiência na Trattoria dell’Arte (7a Ave entre 56th e 57th St; defronte ao Carnegie Hall). Lógico que a comida é italiana, a mais frequente em NYC. Muito boa a comida, serviço atencioso e preços honestos. Gostei dos aspargos com buratta de entrada e da lasanha de 101 folhas de principal (ou Appetizer e Entrée à americana). O tiramisu é MUITO bom! ("de toda la vida”) e uma porção que é quase um almoço. 
Até o espresso é bom na Trattoria (curto e em xícara pré-aquecida) o que não é o costume nos EEUU, NYC incluída. O espresso nos EEUU vem em volume exagerado (e não muito concentrado) e colocado num recipiente desproporcionalmente grande para o volume, o que esfria o café antes que se consiga tomá-lo. Melhor não tentar tomar café e aproveitar o coffee.

Desde a primeira vez que estive nos EEUU entendi que café e coffee não são a mesma coisa. Após tentar várias marcas de café e várias concentrações das marcas mais promissoras, constatei que é impossível preparar café com o pó elaborado para coffee. Passei a tomar coffee como uma bebida distinta do café. Na verdade, cheguei a gostar, e mesmo sentir falta, de coffee. Os bons coffees são uma boa bebida. Quando os americanos começaram a provar outras formas de café, o coffee começou a ser designado de “americano" para distingui-lo do espresso e outras bebidas derivadas do Coffea arabica. O espresso preparado nos EEUU começa a sofrer um processo de diluição semelhante ao coffee, de tal maneira que o espresso dos EEUU não é mais o espresso e pode ser tomado frio (uma propriedade importante do coffee). Ou seja, o “espresso americano” não é mais espresso, com o agravante que manteve o nome italiano, o que confunde. Teria sido melhor que o designassem “express”.

sábado, 2 de novembro de 2013

New York: José Bonifácio e produtos de beleza

Andando no parque ao fundo da Biblioteca Pública deparo-me com uma estátua em tamanho natural de um personagem antigo. Gravado na pedra de sustentação o nome “Andrada” chamou-me a atenção. É mesmo o José  Bonifácio de Andrada e Silva e a estátua foi uma doação do Brasil em 1953. As inscrições identificam Bonifácio como “Statesman, Scientist, Author" Esta é a primeira vez que vejo a estátua, ou melhor que lembro de havê-la visto. Posso tê-la visto antes e nem lembrava. 
Uma outra visão do Brasil tive na CVS: Brazilian Keratin Therapy, vi produtos com Açai também, mas não os fotografei. Para o pessimista, baixamos muito o nível em relação à visão de Bonifácio. Para o otimista, a inovação tecnológica começa a dar frutos no Brasil. Escolha seu lado.


O que fazia na seção de produtos de beleza? Exercia a segunda atividade mais praticada por brasileiros nos EEUU: Buscava encomendas. A atividade mais frequente, lógico, é realizar as próprias compras.