sábado, 23 de outubro de 2010

Erradicação da miséria no Brasil


O gráfico acima é da Fundação Getúlio Vargas (original aqui).
Vejam que a partir do Plano Real, há uma queda da miséria no Brasil, mas que este processo é interrompido de 1995 a 2003. Ou seja durante todo o governo FHC, inclusive no ano de 2003 cujo orçamento foi elaborado no governo FHC, não houve redução da miséria.
Ao clicar no ano 1995, aparece uma manchete de jornal: "Renda dos pobres cresce 30% no Real."
O click em 1999, exibe: "IPEA mostra que miséria volta a crescer no Brasil"
Em 2003: "Miséria cresceu no primeiro ano de Lula" (volto a lembrar com orçamento elaborado no governo FHC).
De 2004 em diante, todas as manchetes ressaltam a acentuada queda da miséria no Brasil.

Muitos têm argumentado que o sucesso do governo Lula se deve às condições criadas nos governos anteriores. O ponto que permanece sem explicação é porque não continuou a redução dos níveis de miséria durante o governo FHC, se as condições do Plano Real, no governo Itamar, já haviam levado ao início da redução. Para mim, trata-se de falta de prioridade para políticas sociais, do mesmo modo que faltou prioridade para o investimento em C&T (aqui).

Reproduzo abaixo o comentário de Paulo Beirão, no post anterior, pois se aplica também ao tema atual :
"Acho curioso o argumento que todo o sucesso do governo Lula se deve à estabilidade econômica do plano Real. Vamos aos fatos! 
O plano Real foi iniciado no ano de 1994 (a moeda começou oficialmente no dia 1o de julho), no governo Itamar. Depois disso o FHC teve 8 (oito!) anos para mostrar que a estabilidade econômica poderia ser seguida de crescimento econômico e redução das desigualdades sociais. Pelo contrário, só aconteceu crescimento da dívida externa, da divida interna e da carga tributária, apesar do arrocho econômico e da privatização de várias estatais (a propósito, para onde foi o dinheiro dessas privatizações?). 
Há alguns que dizem que o cenário econômico era desfavorável. Nesse período tivemos 3 crises financeiras, uma da Coréia, outra da Argentina e outra do México. Em todas elas o Brasil quebrou e tivemos que ficar de quatro para o FMI (vocês se lembram dos chamados efeito Orloff e efeito tequila?). No final do governo FHC o dólar tinha disparado e estávamos na iminência de ter que recorrer novamente ao FMI (vocês se lembram do empréstimo standby de US$ 30 bi?). 
Pouco depois do início do governo Lula começamos a pagar as dívidas, o dólar caiu e os juros internos caíram, contrariando a tendência do final do governo FHC. A conjuntura externa foi favorável? Em 2008 iniciou-se a maior crise financeira internacional depois da Grande Depressão de 1929, que afetou países (seriam periféricos?) como os EUA e a Europa. Contrariamente ao preconizado pelos “especialistas” tucanos, o governo Lula apostou no mercado interno e fomos os últimos a entrar e os primeiros a sair da crise (é importante lembrar que vários países ainda não saíram da crise!). É isso que os tucanos chamam de “conjuntura internacional favorável”?"

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Está em dúvida no voto? Veja os dados sobre investimento em ciência!

Vários estudos e indicadores nacionais e internacionais mostram que o número de doutores se correlaciona com melhor desenvolvimento social e econômico. Também é demonstrado, e óbvio, que para haver doutores produtivos é necessário investir em ciência.
Se você não é da área de ciência e tecnologia, veja os dados abaixo e reflita sobre qual o partido que valoriza a ciência no Brasil.
Se você é da área de ciência e tecnologia, nem precisa analisar muitos dados. Você deve ter sentido que há muito mais investimento hoje que no governo anterior. Mas como você está acostumado a tomar decisões baseado em evidências científicas, veja os dados:

A diferença de inclinação das retas é muito esclarecedora. Ao lado de cada gráfico há uma figura mostrando apenas as retas de tendência. Em preto a do PSDB (no trecho pontilhado a extrapolação do crescimento na mesma tendência mostrada nos oito anos de governo FHC). A linha vermelha mostra a tendência de crescimento no governo Lula.

No total das bolsas, o quadro é ainda mais dramático, pois a curva do número de bolsas era decrescente:

A queda do número de bolsas afetou bolsas de extrema importância para a capacitação nacional como as bolsas para pós-graduação:

O quadro se completa com pouco apoio para realização de projetos de pesquisa:

Não precisa ajudar na análise da interpretação pois as tendências são claras. Em todos estas modalidades houve um suporte à ciência e tecnologia muito mais decisivo no governo do PT. 

sábado, 9 de outubro de 2010

Paixonei com Ouro Preto, tudo em até 15 minutandano


A Reunião Anual de Pesquisa em Malária foi a oportunidade que me trouxe de volta a Ouro Preto. Pelo que lembro a terceira vez. A primeira, ainda estudante de medicina, foi uma visita rápida. Uns amigos de Belo Horizonte fizeram a gentileza de trazer-me, circulamos pela cidade e retornamos no mesmo dia. A verdade é que lembro do padrão geral da arquitetura, da beleza das igrejas e pouco mais que isto. A segunda vez foi numa visita ao curso de pós-graduação da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), em comissão da CAPES. Também foi uma visita rápida e sem oportunidade de turistear.
Desta vez, fiquei de 2a-f a 6a-f. Como se trata de uma reunião científica, fiquei a maior parte do tempo no Centro de Convenções. Continuo conhecendo pouco de Ouro Preto. Evitei o transporte oferecido pelo congresso para caminhar do hotel ao Centro de Convenções, aproveitando a temperatura amena e sem chuva. Pouca coisa, mas paixonei com Ouro Preto. O trecho anterior em itálico, como se usa para língua estrangeira, está escrito em mineirês. Notem que é parecido com o português brasileiro (apaxonei-me por). Nesta viagem aprendi uma unidade de medida mineira: minutandano. Qual a distância daqui do hotel até o Centro de Convenções?  Dez minutandano. A vantagem da medida é que ela reflete vários aspectos do trajeto incluindo a sua inclinação. Assim, como o hotel se situa em local mais elevado que o Centro de Convenções, o retorno não fica a 10 mas a 15 minutandano. Interessante o nome do Centro de Convenções (da UFOP): Parque Metalúrgico pois é adaptado de uma metalúrgica. 
O Hotel Solar do Rosário, onde fiquei, é muito bom, mas algo caro. Imagino que há alternativas razoáveis mais baratas. Tivemos uma reunião no Hotel do Teatro o qual pareceu muito simpático (e a internet inalámbrica estava muito mais rápida que no Solar). Ao lado, e dos mesmos proprietários, há o Café e Restaurante Deguste. Almoçamos um buffet de comida mineira que estava muito boa.
Numa das noites, todos da reunião acabaram indo para uma pizzaria (O Passo; Rua São José, 56). Meia Ouro Preto havia pensado o mesmo, pois 3a-f à noite há rodízio de pizza. Quase impossível entrar. Consegui entrar, já uma boa parte acabou por desistir. A pizza, pelo menos a do rodízio, é possível de comer, sin pena ni gloria.
O restaurante Acaso 85 (Largo do Rosário 85) funciona numa casa antiga com paredes de pedra e a sala de refeições fica abaixo do nível da rua, em dois lances enormes de escadaria. Acabei indo duas vezes pela proximidade do hotel, não exatamente pela comida. Embora a comida seja boa o custo é muito elevado para a sua qualidade e os vinhos têm um custo também elevado. 
O melhor restaurante que estive por lá foi, seguramente, o “Bené da Flauta” (R. São Francisco de Assis, 32 - Centro). 
Ouro Preto não é exatamente uma cidade barata, mas vale muito a pena a visita. O conjunto arquitetônico está muito bem preservado. Também acho fantástico que a cidade preserve todo o aspecto colonial embora mantenha uma vida normal de cidade.
A foto acima do texto tirei do hotel com a visão da torre da Igreja do Rosário, a no corpo do texto tirei numa caminhada, ao passar na porta do grande Hotel de Ouro Preto, e não sei o nome da igreja.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

O que um governo Serra faria com o pré-sal?



Reproduzo abaixo a matéria de Carta Maior de ontem sobre o Pre-Sal e a Petrobrás, que contem uma entrevista com o pai de Camila (Adilson Oliveira).
"O professor Adilson de Oliveira, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), prefere responder o que o Brasil perderia se o Estado brasileiro abdicasse de controlar o ritmo e a estratégia de exploração dessa riqueza. O risco existe e foi sinalizado recentemente pelo coordenador do programa de energia de José Serra: Zylberstajn quer afastar a participação estatal no comércio do petróleo brasileiro. “Não se trata apenas de uma posição ideológica; há interesses em jogo que gostariam de diminuir o peso da Petrobras; se possível, até quebrar a empresa”, analisa.
Se o Brasil hoje é visto como o filé mignon do mundo em termos de crescimento econômico, o filé mignon do Brasil é o pré-sal. Por seu valor específico como principal reserva de petróleo descoberta no planeta no crepúsculo da oferta mundial, mas, sobretudo, pelos efeitos multiplicadores no conjunto da indústria nacional, trata-se “da maior oportunidade que o país já teve em toda a sua história de promover um salto qualitativo nas condições de vida do seu povo”. 

A avaliação é do economista Adilson de Oliveira, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Especialista em economia do desenvolvimento, com doutorado em Grenoble e pós-doutorado em Sussex, Oliveira tem posições serenas que vivem em harmonia com o tom pausado de sua fala. Sem nunca alterar a voz ele é taxativo, porém, num aspecto. O encadeamento virtuoso possibilitado pela riqueza do pré-sal requer um lacre de segurança que garanta a permanência desses recursos no metabolismo da economia brasileira.

O nome dessa blindagem, diz o professor da UFRJ, é Petrobras. 

A firmeza calma de suas palavras não esconde um confronto agudo com a histórica oposição de certos interesses ao papel da empresa no país. Esse antagonismo foi reiterado mais uma vez nestas eleições pelo assessor do programa de energia de José Serra, David Zylberstajn, ex-dirigente da Agencia Nacional de Petróleo no governo FHC. Em recente entrevista ao Valor [06-10], Zylberstajn admitiu que aconselharia Serra, caso eleito, a reverter o modelo do pré-sal aprovado pelo Congresso, que dá o comando do processo de exploração das reservas à Petrobras e a prerrogativa de comercialização do óleo à nova estatal criada para esse fim, a Pré-Sal Petróleo SA. 

Coerente com o que fez em 1999 como diretor-geral da ANP, quando se propôs a encolher a Petrobras, que de fato perdeu o monopólio na exploração e teve seu braço petroquímico amputado, Zylberstajn sintetiza assim a filosofia da estratégia sedimentada junto ao presidenciável José Serra: livrar o mercado brasileiro de qualquer interferência estatal na compra e venda de petróleo.

“Não se trata apenas de uma posição ideológica; há interesses em jogo que gostariam de diminuir o peso da Petrobras; se possível, até quebrar a empresa”, analisa o professor da UFRJ, cuja calma adiciona peso e gravidade à sua avaliação. 

O gigantismo dos conflitos que cercam o pré-sal emprestam dose adicional de credibilidade a esse risco. “São reservas que concentram cerca de 70 bilhões de barris, no mínimo; podem chegar a 100 bilhões”, diz o economista sobre a fabulosa poupança guardada no mar a cerca de seis mil metros de profundidade, 300 quilômetros distante da costa brasileira. 

O pré-sal mudou o tamanho do Brasil na geopolítica mundial. Os grandes interesses que disputam a oferta de energia sabem que o país será um dos cinco ou seis maiores fornecedores do planeta no século XXI, quando a escassez de óleo elevará os preços do barril continuamente. Isso muda tudo. Muda inclusive o apetite da luta pelo poder na economia, ainda que o assunto pré-sal tenha ocupado até agora um conveniente segundo plano no discurso oposicionista, exceto por confidencias como a de Zylberstajn . 

“O fato é, que, de importadores de óleo até recentemente – a autossuficiência veio em abril de 2006 - passaremos a grande exportador de derivados de maior valor agregado”, diz o economista da UFRJ que tem domínio absoluto sobre os encadeamentos de uma equação em que mercado-energia e decisão política são indissociáveis. “Esse é o pulo do gato da capitalização”, observa chamando a atenção para a mais recente peça movida no jogo de xadrez da construção da soberania brasileira sobre essa trilionária poupança.

O maior processo de capitalização da economia mundial adicionou cerca de US$ 120 bilhões ao caixa da Petrobrás que terá assim recursos para industrializar o óleo do pré-sal, o que inclui, entre outros requisitos, forte expansão da rede brasileira de refinarias, estagnada desde 1980. Cinco plantas estão sendo construídas simultaneamente neste momento, a maior delas em sociedade com a PDVSA venezuelana, em Pernambuco. 

Investimentos maciços estão sendo feitos também na modernização de outras quatro unidades antigas.

É essa estrutura industrial que viabilizará a exportação de valor agregado (gasolina diesel etc) em vez de óleo cru, mais barato. É ela também que funcionará como antídoto à famosa ‘maldição do petróleo’, um processo corrosivo de desindustrialização e dependência que atinge sociedades reduzidas a mero entreposto de exportação de recursos primários finitos.

O professor cautelosamente manifesta dúvidas quanto à necessidade da Pré-Sal, a nova estatal criada para coordenar a etapa final da comercialização do óleo e derivados. No seu entender, a Petrobrás poderia cumprir essa missão. A empresa,argumenta, é quem melhor conhece o mercado ardiloso das disputas geopolíticas e as armadilhas das cotações. 

A necessidade de um ‘dosador’ estatal para calibrar o volume das vendas, de qualquer forma, parece incontestável. E ele explica o porquê. “O que faz do pré-sal um tesouro para o desenvolvimento brasileiro não é apenas o volume de petróleo que ele encerra. O mais importante é o viés industrializante que essa exploração permite. Toda uma cadeia de equipamentos, máquinas, logística, tecnologia e serviços diretamente ligados e também externos ao ciclo do petróleo poderá ser alavancada nos próximos anos, transformando o Brasil, também, num grande exportador industrial. 

O economista sempre contido entusiasma-se: “Isso tem força para deslocar o patamar do nosso desenvolvimento”. Para que essa oportunidade não se perca é vital a definição de um “dosador” soberano que coordene duas variáveis básicas: o ritmo da extração e do refino e a sua sintonia com a capacidade brasileira de atender à demanda por plataformas, máquinas, barcos, sondas e centenas de outros equipamentos requeridos no processo. “Se a exploração do petróleo correr à frente do fôlego da indústria local, todo esse impulso será transferido para o exterior na forma de importações de bens e equipamentos”, adverte agora com certo grau de ansiedade na fala. 

Essa pontuação confirma que não estamos falando de estatísticas frias, desprovidas de desdobramentos sociais. Cerca de 300 mil jovens serão treinados nos próximos anos pelo Promimp, o Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural (Prominp) , idealizado para qualificar mão-de-obra para a indústria nacional de petróleo e gás. Se o comando sobre a extração e a comercialização, de que fala o professor, escapar do controle nacional, esses empregos e milhares de outros vazarão para o exterior. “Parte dos interesses do mundo petrolífero sabe e já aceitou que a Petrobras é quem tem condições técnicas e institucionais de coordenar esse novo ciclo brasileiro”, explica o acadêmico que todavia adverte: ”A decisão política de capitalizar a Petrobrás emitiu um sinal claro; uma parcela dos capitais interessados em participar do entendeu que o caminho era investir em ações da empresa.Esse foi um divisor importantíssimo. Porém, observa pedindo atenção com uma pausa: “há gigantes que ainda gostariam de ocupar o papel coordenador assumido pelo Estado brasileiro. 

Em tese, o mercado até poderia substituir essa função”, comenta laconicamente Adilson de Oliveira, para emendar em seguida: “Com um custo para a sociedade brasileira: ela perderia, como já disse, o mais importante impulso de desenvolvimento já registrado em toda a sua história”. Orientadas apenas pelo lucro imediato, petroleiras multinacionais sangrariam das reservas o máximo de óleo no mais curto espaço de tempo. Não haveria encadeamentos industrializantes; tampouco recursos para um Fundo Social destinado a investir em educação, tecnologia e erradicação da pobreza, como quer o governo atual. 

É nessa brecha de tensão entre a voz do professor, a regulação soberana já aprovada pelo Congresso Nacional e as incertezas embutidas no caso de uma hipotética vitória do candidato oposicionista, em dia 31 de outubro, que prosperam sinais e ameaças, como as balizas sugeridas pelo coordenador do programa de energia de José Serra, David Zylberstajn. 

O professor da UFRJ não pronunciou o nome de Zylberstajn uma única vez em toda a conversa. Nem seria preciso: as iniciais DZ, da consultoria de Zylberstajn, estão visceralmente entranhadas naquilo que o economista de voz mansa classifica como interesses que gostariam de enfraquecer, “se possível, até quebrar a Petrobras”, para assumir o controle das maiores reservas de petróleo descobertas no planeta nas últimas três décadas."


sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Arembepe: Restaurante Mar Aberto, sempre bom


De passagem para Itacimirim, almoçamos no Restaurante Mar Aberto, em Arembepe. Há muito anos conhecemos o Mar Aberto. 
Tudo continua muito bom. Para quem não sabe, é MUITO raro que um restaurante na Bahia mantenha uma boa qualidade por mais de 20 anos. Este é um desafio interessante: quais os restaurantes da Bahia com mais de 20 anos que você lembra? quais continuam bons? Eu, num primeiro esforço, lembrei do Porto Moreira (Mercado das Flores).
No Mar Aberto a decoração é bem cuidada, sem luxos desnecessários (faz falta o guardanapo de pano, mas isto está quase impossível hoje), e o serviço bem feito. Os garçons são atentos e sabem o que estão fazendo (o que não é trivial, hoje em dia).
A comida continua o ponto alto. Os bolinhos de peixe e de bacalhau ótimos. Gostamos muito do Camarão Mar Aberto, preparado com manga e um molho delicioso. Precisamos vir mais, para provar outras coisas.
As fotos são do site do Mar Aberto, exceto a última (do mar visto do restaurante) que foi feita, por nós, nesta visita.

Localização
Largo São Francisco 43 - Arembepe - Bahia
(71) 3624.1257; 71 3624.1623 


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quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Cuidado ao assistir uma tourada

Algo muito estranho ocorreu em Tafalla. Não era exatamente uma corrida de toros, mas um concurso de recortes, quando um touro conseguiu saltar à área do público. Entre o touro e o pânico mais de 40 pessoas ficaram feridas.
Segundo o site Burladero:
"uno de los toros, de nombre Quesero y de la ganadería deMacua Corera, saltase al tendido y embistiera contra los espectadores. Alrededor de cuarenta personas han resultado heridas aunque, en principio, ninguno de ellos presenta lesiones de gravedad."
No site do Bild havia o filme disponível:

LEITOS HOSPITALARES NA BAHIA

Texto encaminhado pelo colega Jorge Solla:

No ano de 2006, Wagner ainda candidato ao Governo do Estado, se comprometeu com o povo baiano em garantir o acesso da população aos serviços de saúde. Considerando o descaso com que a saúde pública foi tratada neste Estado durante anos, na época o futuro Governador já sabia que tinha um grande desafio a ser superado, estruturar a rede de serviços de saúde para que a população tivesse a garantia do atendimento e com qualidade. 
Já em 2007, ao assumir o Governo do Estado, Wagner encontrou os hospitais estaduais desabastecidos, com carência de pessoal e de equipamentos, uma frota de veículos sucateada. As estruturas físicas das unidades estaduais estavam quase todas necessitando de reformas para recuperar as condições de funcionamento.
Além disso, a falta dos investimentos necessários para a ampliação da capacidade instalada na rede pública estadual gerou grandes lacunas. O último hospital público de urgência/emergência construído na Região Metropolitana de Salvador foi o Hospital Geral do Estado - HGE, há mais de 20 anos.
Este quadro se agrava pelo fato de Salvador, terceira maior cidade do país, ser uma das poucas capitais brasileiras que não tem nenhum hospital público municipal, com 50% do total de internações e 100% daquelas em situação de urgência/emergência são realizadas pelos hospitais públicos estaduais. 
Salvador ainda não conseguiu sequer estruturar uma rede mínima de serviços de saúde para atender as necessidades de sua população, mesmo tendo assumido perante o Governo Federal a responsabilidade pela gestão plena do sistema de saúde municipal. É a Prefeitura Municipal quem recebe os recursos federais do SUS para contratação dos serviços privados, inclusive leitos hospitalares e cirurgias.
Em três anos e meio com Wagner governador temos observado um intenso processo de estruturação da rede hospitalar estadual, com investimentos de mais de R$ 500 milhões. São cinco novos hospitais: Irecê, Juazeiro e Santo Antonio de Jesus já em funcionamento e o Hospital Estadual da Criança em Feira de Santana e o Hospital do Subúrbio em Salvador a serem entregues no final deste mês. Além destes já foram iniciadas as obras do Hospital Estadual da Chapada em Seabra e o novo Hospital Público de Teixeira de Freitas. , Feira de Santana). São mais de 1.100 novos leitos hospitalares públicos entregues pelo Governo Estadual até setembro de 2010. 
Considerando todos os tipos de leitos (internação, observação e urgência) observamos no período de 2007 à junho de 2010, um incremento de 3,4% no total de leitos hospitalares do SUS (públicos e privados) existentes no Estado, crescimento superior a média nacional que foi de 1,9% e da maioria dos Estados da Federação. Hoje na Bahia são 38.431 leitos, enquanto que em dezembro de 2006 existiam 37.152 leitos. Foi o quarto maior aumento absoluto do número de leitos hospitalares do SUS no país e o segundo na Região Nordeste no período, com 1.279 novos leitos acrescentados na rede hospitalar no estado. Cabe destacar que 8 estados brasileiros tiveram redução do número total de leitos hospitalares pelo SUS, entre eles o Estado de Minas Gerais.
A informação veiculada recentemente em debate eleitoral não procede. Podemos atribuir sua origem ao fato de que a partir de janeiro de 2010 os dados referentes aos leitos classificados como complementares terem sido retirados da consulta geral no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), passando a constituir uma consulta específica. Provavelmente algum assessor com pouca intimidade com este tipo de base de dados deve ter gerado de forma precipitada e inconsistente esta falsa informação.
Quando analisamos separadamente os leitos de observação e de urgência/emergência observamos um crescimento de 41,5% e de 30,1%, o 3º maior incremento para esses tipos de leitos em todo o país e o maior crescimento de todo o Nordeste.
Analisando o número de leitos de internação por tipo de prestador no período de dezembro de 2006 a junho de 2010, podemos observar na Bahia um incremento de 6,1% no número de leitos de internação existentes ofertados na rede pública (em unidades hospitalares municipais, estaduais e federais). Em 2010 temos 14.529 leitos contra 13.695 em 2006.
Na rede pública estadual, com os investimentos feitos pela atual gestão, já estão em funcionamento 650 novos leitos hospitalares e outros 573 estão em fase de implantação neste semestre (QUADRO I).

Graças aos esforços feitos pelo Governo Estadual, abrindo novos hospitais e ampliando o número de leitos para o SUS, tendo como conseqüência o aumento do acesso da população a este tipo de serviço. A Bahia que havia realizado em 2008 840.229 internações passou em 2009 a contar com 884.743 internações pelo SUS. Isso representa um aumento de 5,3% entre os dois anos, correspondendo a mais 44.514 internações (2º maior aumento em termos absolutos no país). Em 2009 a Bahia teve 60,44 internações por 1.000 habitantes pelo SUS, superando a média nacional (59,99 internações por 1.000 habitantes).
Destaca-se ainda a ampliação do número de leitos de UTI disponíveis ao SUS. São mais de 233 leitos que até o final de 2010 totalizarão 341 novos leitos de UTI disponíveis ao SUS, um incremento de 80% neste tipo de leito no Estado. Comparando 2005 com 2009 podemos observar no SUS na Bahia um aumento de 68,9% no número de diárias de UTI (passando de 68.480 diárias em UTI em 2005 para 115.678 em 2009),  de 62,7% no número de internações realizadas em UTI (que aumentaram de 9.988 realizadas em 2005 para 16.245 em 2009) e de 63,6% na proporção das internações hospitalares pelo SUS na Bahia que foram feitas em leitos de UTI (crescendo de 1,1% em 2005 para 1,8% em 2009).
Se compararmos apenas as internações hospitalares realizadas na Bahia em hospitais públicos veremos que houve um aumento de 6,6% entre 2005 (414.517 internações) em relação ao realizado em 2009 (441.699).
Na Bahia com a atual gestão estadual cresceu a oferta de serviços de saúde pelo SUS em todos os níveis de atenção, desde a ambulatorial até a hospitalar. Entre 2005 e 2009 os procedimentos ambulatoriais pelo SUS aumentaram em 34,4% e destes os realizados na atenção básica cresceram 38,5%. Os procedimentos ambulatoriais de alta complexidade ampliaram em 66,3% acrescentando mais de 8 milhões e 300 mil procedimentos desta natureza ao que era feito anteriormente. A oferta de Terapia Renal Substitutiva na Bahia (Hemodiálise e outros procedimentos para pacientes em insuficiência renal) cresceu neste período analisado em 34,9%, a realização de Tomografia Computadorizada pelo SUS aumentou em 53,4% e a de cateterismo cardíaco (Hemodinâmica) mais que dobrou (crescimento de 118,7%) (QUADRO II).

Com o Programa Saúde em Movimento ampliou-se a oferta de serviços oftalmológicos pelo SUS, com mais de 220 mil pessoas atendidas em apenas 10 meses de trabalho, realizando mais de 73 mil cirurgias oftalmológicas, sendo 36 mil de catarata. Somente no primeiro semestre de 2010 (janeiro a junho) foram feitas nos serviços do SUS na Bahia 34.019 cirurgias de catarata com implante de lente dobrável (incluindo as realizadas pelo “Saúde em Movimento”).
O trabalho com Wagner governador não para. Os investimentos na contratação e qualificação de pessoal para a rede de serviços de saúde andam em ritmo acelerado e permitiram que em apenas três anos e meio fossem contratados mais de 3.295 profissionais via concurso público para a rede Estadual, enquanto que no período de 2003 a 2006 apenas 1.275 profissionais concursados foram contratados. O combate ao clientelismo e a troca de favores tem-se intensificado ainda mais, com as contratações via Regime Especial de Direito Administrativo – REDA se dando por meio de seleções públicas, diferente do que observávamos no passado.
É importante lembrarmos ainda que o Programa de Internação Domiciliar implantado no Governo Wagner (maior programa desta natureza no país), já atendeu a mais de 1.500 pessoas e atualmente encontra-se com mais de 150 pacientes internados, ou seja, podemos comparar a uma estrutura em termos de leitos, a de um hospital de grande porte. Já são 26 equipes atuando em 10 dos maiores municípios baianos.
Continuarmos com os trabalhos iniciados com Wagner governador e Lula presidente e agora com Wagner e Dilma é a garantia de que poderemos seguir em frente na construção de saúde digna e com qualidade para todo o povo Baiano, construindo num  “País de Todos”, uma Bahia que é que cada vez mais a “Terra de Todos Nós”.  "